Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Tiago na Toca e os Poetas por Tiago Bettencourt apresenta-se como um projecto singular Resultante da interpretação musicada de poetas como Fernando Pessoa Florbela Espanca Alexandre O'Neill entre outros grandes da literatura lírica Contando também com a partilha de alguns temas com Carminho Camané e outros Tiago Bettencourt conta que este não seja considerado um álbum mas sim algo que resulta de um conjunto de experiências que faz por intuição 

susana g sousa


Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

na incompreensão de ser quem sou embebedo-me no fumo
só para não me lembrar do inadequado que é viver presa à angústia de não saber como existir
esta noite de ventos que sopram em sussurros alucinantes
trazem-me a memória de que um dia estiveste bem do meu lado
e enquanto fumo debito palavras que te furam o peito de amor incondicional
aprendi que até o sentimento pode ser injusto quando não é correspondido
porque se te amo tanto assim é egoísta só uma das nossas almas beber da fonte
o antro de perdição onde me encontro é a consequência de amar para viver
a embriaguez persiste as folhas borradas também
e umas leves nuvens de fumo vão pairando no ar deixando o rasto de que algum segundo puderam existir
o reflexo no espelho revelou-me
e é o encontro com nós próprios que nos degrada
quando saberei eu falar comigo em silêncio

susana g sousa

Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

no sonho de que o planeta recebe energias do cosmos
eu sinto-te mais aqui como meu par perfeito das reencarnações
após a minha última vida como alma que se prende ao corpo no plano físico
eu posso ser um pouco mais tua só para compensar o motivo de nunca mais poder tocar-te
na beleza um pouco banalizada de ser concretizado
no entanto tenho medo do teu olhar porque me prende o tempo que tu entenderes
contigo não sou eu como ser independente e eu gosto
porque tu estás em tudo o que eu consigo ser
encantas-me
os teus defeitos fazem-me sorrir porque aprendi a amá-los
tal como venero as tuas qualidades no sentimento mais elevado ao expoente do ser
porque o amor é a tarefa mais árdua mas também a que nos faz sentir realizados completos
sou feliz só porque respiro o mesmo ar que tu respiras

susana g sousa

Terça-feira, 8 de Maio de 2012

não me deixes alcançar o desgasto de te amar tanto que se já se torna hábito
atira-me um copo de água gélida à cara para ver se me reconforta a alma
e sinto novamente o aperto no estômago ao acordar de cada dia
e recordar-me de que existe um pequeno universo no outro disperso que é só nosso
não há razão para nos sentirmos assim tão sós se o fogo arde no peito
e nos esconde a felicidade de quem nos rodeia eu acredito em ti
e não dou a ideia de que tu me amas também porque serve de protecção ao desgosto
que por vezes me cresce quando as palavras não se masturbam no papel
e não proporcionam prazer a quem lê este nosso amor que não aprendeu a sorrir para nós
ou talvez nós ainda não tenhamos aprendido a sorrir para ele

susana g sousa

Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

a verdade é que até as nuvens já cobriram a lua
chove com delicadeza lá fora o som é suave aos ouvidos do cansaço
agrada-me pensar nos dias em que tu chegas ao café
e dizes com teimosia que tens pressa para ir embora
porque há sempre algo para fazer há sempre alguma coisa em que trabalhar
mas porque não trabalhas em mim só um bocadinho meu amor?
como sempre conversa puxa conversa e eu deslumbro-me no encanto que tu exalas
e acabas por pousar um dos sacos
até que todos os sacos e mochilas estão amontoados na cadeira ao meu lado
e tu sentaste quase com vergonha por não teres conseguido levar a tua típica teimosia avante
e eu limito-me ao deleite por entre risos por essa tua atitude tão genuína
acabas por ficar imenso tempo porque eu sei que gostas da minha presença em ti
por vezes irrita-te e incomoda mas vai-se entranhando na pele nas vísceras


susana g sousa

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

a luz é meia para se ver detalhadamente as espirais cobertas de irregularidades do fumo que dispersa
desenho-te suavemente sorrindo e ignoro todos os vestígios de teorias
o amor por vezes é pungente porque não se reduz à condição de ser livre
a verdade é que o cosmos já nos uniu na eternidade das reencarnações
subtileza como nada de físico por agora amadurecemos
a tua ausência de palavras perdura na noite em que vénus preenche o céu
na vingança de me amares mais e quereres provar de forma vincada
hoje são poucas as palavras que me ocorrem
dormente estou nesta rotina de te amar todos os dias horas minutos segundos
e muito mais sempre
penso que cada vez me faltas mais e só escrevo na teimosia de te sentir
mas também vives na insegurança de me perder
és egoísta no impasse que me provocas de te querer
porque o toque do outro já não é como o teu
já não faz arrepiar os pêlos dos braços nem tremer as pernas na indecisão de possuir ou não
já não sinto a perda dos sentidos nem a certeza de desmaio nos seus braços
contigo é muito maior
e nós sabemos que muitos nunca vão conseguir entender esta dimensão mas vão achar que sim à sua maneira
são ínfimas criaturas com tal sorte
pergunto-me se será sempre assim quando me perco no teu olhar
porque é tão submerso de mistério como o amanhã
mas há algo que consigo experimentar que me amas
na indecisão de o aceitar

susana g sousa

Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

a saudade já soa no peito como uma melodia que na angústia me faz querer dançar
mas porque o que é bom sabe sempre bem repetir eu amo-te
e no fundo só precisava que me desses as palavras
e me arrancasses um arrepio bem no fundo de trincar o nervosismo
perfeito é o completo de nos simplesmente completarmos
o amor é difícil mas possui a subtileza de primeiro gostar de mim
para te gostar sempre muito meu amor
vem vamos voar no mar e na praia da inocência de não o fazermos por mal
não te deixes mortificar no beco da podridão que o pre conceito impõe à sociedade
que nos pune do mais belo alguma vez inventado e criado
isto não são só palavras de amor são também de desespero

susana g sousa