a luz é meia para se ver detalhadamente as espirais cobertas de irregularidades do fumo que dispersa
desenho-te suavemente sorrindo e ignoro todos os vestígios de teorias
o amor por vezes é pungente porque não se reduz à condição de ser livre
a verdade é que o cosmos já nos uniu na eternidade das reencarnações
subtileza como nada de físico por agora amadurecemos
a tua ausência de palavras perdura na noite em que vénus preenche o céu
na vingança de me amares mais e quereres provar de forma vincada
hoje são poucas as palavras que me ocorrem
dormente estou nesta rotina de te amar todos os dias horas minutos segundos
e muito mais sempre
penso que cada vez me faltas mais e só escrevo na teimosia de te sentir
mas também vives na insegurança de me perder
és egoísta no impasse que me provocas de te querer
porque o toque do outro já não é como o teu
já não faz arrepiar os pêlos dos braços nem tremer as pernas na indecisão de possuir ou não
já não sinto a perda dos sentidos nem a certeza de desmaio nos seus braços
contigo é muito maior
e nós sabemos que muitos nunca vão conseguir entender esta dimensão mas vão achar que sim à sua maneira
são ínfimas criaturas com tal sorte
pergunto-me se será sempre assim quando me perco no teu olhar
porque é tão submerso de mistério como o amanhã
mas há algo que consigo experimentar que me amas
na indecisão de o aceitar
susana g sousa